El País – Entre a manipulação da Bíblia e a posse da Vagina (6 Jun 2016)

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O levante das mulheres contra a cultura do estupro no país governado pelo interino Michel Temer (PMDB) e pelo Congresso mais retrógrado desde a redemocratização forma o retrato mais preciso desse momento histórico tão particular do Brasil. A oposição atual não é entre um governo chamado de “golpista” e um governo que já foi apresentado como “popular”. Ou entre a presidente afastada pelo processo de impeachment e o vice que conspirou para afastá-la. O embate é entre o Brasil que emergiu das manifestações de junho de 2013 e o Brasil que se agarra aos privilégios de classe, de raça e de gênero. É esse o confronto político mais amplo que determina o curso dos dias.

Nem Temer, PMDB e partidos aliados representam todas as forças conservadoras de um lado, nem Dilma Rousseff, Lula e o PT são capazes de representar o outro campo. Como a Operação Lava Jato já mostrou, com todas as críticas que se pode – e se deve – fazer aos seus flagrantes abusos e aos personalismos inaceitáveis de alguns servidores públicos, PMDB e PT são, em alguns aspectos cruciais, mais semelhantes do que diferentes. Em alguns aspectos, obviamente não todos, mais sócios que se desentenderam do que opositores de fato políticos, no que a política tem de mais profunda, que é a sua potência transformadora. É fundamental compreender onde de fato está a oposição hoje, para além do Impeachment x Golpe. (…)

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O que o coletor menstrual tem a ver com tabus femininos em relação ao próprio corpo – Reportagem NEXO Jornal (6 Abr 2016)

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O coletor menstrual, um copinho de silicone que substitui o uso de absorventes para as mulheres durante o período menstrual, ainda é novidade para muita gente.

Com a demanda, o mercado brasileiro começou a oferecer várias opções de coletores menstruais. Em 2015, as duas primeiras fabricantes de coletores chegaram ao país. Uma delas tem registrado crescimento mensal de 200% nas vendas desde a inauguração.

Mas o ‘copinho’ – como é chamado popularmente – é uma invenção antiga: o primeiro coletor menstrual, bem parecido com o modelo que é vendido hoje, foi patenteado em 1937 pela inventora e atriz americana Leona Chalmers.

Nos grupos especializados no tema, os relatos das mulheres que usam coletores menstruais são majoritariamente positivos: é comum ler que o uso do coletor é “libertador” e “gostaria de ter descoberto isso antes”. (…)

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Sobre as rodas

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roda

Nossas rodas de conversa acontecem uma vez ao mês, as segundas quartas-feiras, as 19 horas.  Sua finalidade é aprofundar temas importantes da agenda feminista, visando a construção e disseminação de conhecimentos e práticas voltados para a autonomia das mulheres. As rodas contam com a presença de especialistas no  tema, uma moderadora e são abertas e quem quiser participar.

Relatos de Rodas passadas:
As próximas rodas previstas são:
  • 13/07/2016 – Direito de família e Violência Obstétrica
  • 17/08/2016 – Saúde Mental, depressão e ansiedade em mulheres (excepcionalmente às 18 hs)
  • 21/09/2016 – O Trabalho do coletivo com homens autores de violência
  • 19/10/2016 – O trabalho das obstetrizes no Coletivo Feminista
  • 23/11/2016 Direitos das mulheres e acesso à justiça

Depressão e ansiedade na vida das mulheres

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imagemfridaEstudo sobre saúde mental divulgado pela Organização Mundial da Saúde em 2011 apontou que a depressão é uma questão grave de saúde pública em todas as regiões do mundo e pode ter relações diretas com questões sociais. O estudo, conduzido em 30 países, revelou que a ocorrência de transtornos mentais é duas vezes maior em mulheres. No Brasil, em que a pesquisa foi realizada no estado de São Paulo, 20% das mulheres apresentam episódios depressivos pelo menos uma vez ao longo da vida. Entre os homens, o índice é de 12%.

Em A Mística Feminina, Betty Friedan analisou, a partir de entrevistas com mulheres, médicos e psicólogos, o quanto a educação da mulher voltada para que ela se tornasse esposa, mãe e dona de casa – e vivesse em função disso -, a tornava frustrada e fazia com que apresentasse distúrbios psicológicos, entre eles a depressão. Embora a obra retrate a mulher de um ponto de vista branco de de classe média, já naquela época (décadas de 1940 e 1950) ela revelava o quanto o peso das funções que atribuem às mulheres pode ser prejudicial à sua saúde mental.

“Ser mulher em uma sociedade profundamente patriarcal leva a um número desproporcional delas a entrar em colapso” (Garcia, 1994). Dupla jornada de trabalho, ser mãe zelosa, esposa dedicada, “bela, recatada e do lar”, conviver com assédio na rua, muitas vezes lidar com violência dentro de casa, estar sempre disponível para o outro, nunca para si. A carga social que incide sobre a mulher a leva sempre a anular-se.

Segundo Wilza Vieira Villela, psiquiatra do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e livre-docente em Ciências Sociais em Saúde da Unifesp, apontar as mulheres como mais suscetíveis à depressão pode ser questionável, já que é socialmente mais aceitável para as mulheres expressarem suas tristezas e desconfortos, enquanto dos homens se espera uma postura mais racional, “forte”. Ainda assim, é possível comparar a forma como homens e mulheres expressam tanto a depressão quanto a ansiedade. (…)

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