Atendimentos

Ao longo do processo de maturação do Coletivo Feminista, suas integrantes perceberam a necessidade de sistematizar as experiências e criar um espaço em que a teoria e as reflexões pudessem ser aplicadas. Como inspiração para a criação do ambulatório, havia também a experiência vivida por Maria José de Oliveira Araújo no Dispensaire des Femmes, em Genebra. Ao voltar ao Brasil, ela percebeu que o movimento de mulheres pela saúde estava maduro para criar um ambulatório, que colocasse novos paradigmas de atendimento às mulheres.

O processo de formação e de capacitação do ambulatório começou entre as próprias participantes, desde exercícios práticos até discussões acerca das questões que envolviam a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Essas discussões foram amplas e contaram com pessoas de várias áreas, isto é, profissionais de saúde, mulheres da universidade, mulheres dos movimentos de base, intelectuais etc. O ambulatório foi aberto em 1984.

A atual equipe do Coletivo compreende que o cuidado em saúde que se opõe ao controle dos corpos, em especial a do corpo feminino, das relações abusivas e de violências, deve acontecer através do cuidado e da atenção às mulheres e aos homens, às crianças e aos adultos. E neste sentido a adesão na equipe de medicas e médicos da família e comunidade, além dos profissionais que tradicionalmente já incorporavam a equipe, como medicas ginecologistas, obstetrizes, psicólogos e psiquiatras, trouxeram em evidencia a necessidade de sempre desenvolvemos nossa percepção, podendo somar a perspectiva feminista, o atendimento em saúde sem distinção de gênero, idade ou qualquer outra discriminação.