Entrevista UOL

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Depois de dez anos usando pílulas anticoncepcionais, a estudante de doutorado da UFRJ Carina Heigl, 26, decidiu em setembro do ano passado deixar os hormônios de lado. Em 2012, minha mãe descobriu câncer de mama, e minha tia também teve dois anos antes. Nunca dei muita atenção a esse histórico e à relação com o anticoncepcional até que, no início de 2016, minha mãe começou a me pentelhar…

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Entrevista Diário Catarinense

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Defensora da disseminação de informações para escolha consciente de métodos contraceptivos, a ginecologista Halana Faria, que atua em Florianópolis e São Paulo, é mestra em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. A especialista também atua no Coletivo Feminista Sexualidade em Saúde, uma ONG que enfoca a atenção médica humanizada a mulheres desde 1981. Na internet, ela mantém o blog Casa de Amaterasu, onde aborda a ginecologia sob a perspectiva feminista. 

Confira a entrevista concedida ao Diário Catarinense sobre o caminho que vem sendo feito pelas mulheres na direção oposta à pílula anticoncepcional:

Por que tantas mulheres usam anticoncepcional?

Historicamente a pílula foi um avanço enquanto símbolo, porque as mulheres passaram a exercitar sua sexualidade desatrelada da reprodução. Mas esse método torna-se hegemônico por vários motivos. Pela influência de laboratórios farmacêuticos sobre a prática médica, porque cai como uma luva na crença da “ciência ginecológica” de que o corpo feminino sempre precisa de correção. Então a pílula passa a ser encarada como uma medicação para além da contracepção: ela regula pelos, acne, cólica, dor nas mamas, TPM. E também porque para muitas mulheres a praticidade e modernidade associadas à pílula é interessante. É recente que as mulheres e pessoas de maneira geral questionem as instituições e as coisas que consomem. É um método contraceptivo e não acho que devamos descartar nenhum deles. Ela vai ser um bom método para algumas mulheres e para outras não.

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Revista AzMina – Por que a sexualidade da mulher é tratada como questão de saúde?

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A rotina é conhecida de muitas mulheres: após a perda da virgindade, inicia-se o ritual anual da visita à ginecologista. Pouca conversa e exames invasivos, muitas vezes marcados por dor, passam a ser considerados naturais, uma parte essencial  de garantir não só a saúde, mas também o bem estar sexual. No entanto, um novo movimento de ginecologia tem questionado esse padrão que coloca o espéculo e a maca como parte essencial da sexualidade da mulher.

Antes de conhecer essa nova ginecologia, é preciso porém, olhar para trás para entender porque a sexualidade é tratada da forma como a conhecemos. É preciso olhar bem para trás, para o que seria o “início” da humanidade. Tanto na Bíblia, com a figura de Eva, como na Mitologia, com a figura de Afrodite, o corpo da mulher e sua sexualidade, respectivamente, teriam sido criadas a partir do pedaço do corpo de um homem: a primeira veio da costela de um; a segunda, do pênis castrado de um deus. A ideia de que o corpo da mulher seria uma extensão do masculino se perpetuou por muito tempo em várias áreas do saber: os ovários eram conhecidos como “testículos femininos” até o século VXII.

Desde a Grécia Antiga até o final do século XIX, por exemplo, acreditava-se que a histeria, um tipo de neurose, era uma “doença” exclusiva das mulheres. A própria origem da palavra demonstra uma falta de conhecimento, por séculos, do corpo da mulher: histeria vem do grego, “hystéra”, que significa útero.

O psicólogo francês Pierre Janet (1859-1947) e, posteriormente, Sigmund Freud (1856-1939), foram os primeiros profissionais a associar a histeria a causas psicológicas e não físicas, provando que a neurose pode acometer qualquer pessoa independente do sexo. Mas até o século XX, a histeria das mulheres era tratada com cirurgias – em algumas havia a retirada do útero –, remédios e, nos casos mais leves, com uma massagem clitoriana feita pelos médicos, que levavam as “enfermas” a um estado chamado de “paroxismo histérico”. O orgasmo feminino ainda era desconhecido e a tal massagem nas histéricas nada mais era do que a masturbação feminina, ato que pode e deve ser feito pelas próprias mulheres.

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Depressão e ansiedade na vida das mulheres

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imagemfridaEstudo sobre saúde mental divulgado pela Organização Mundial da Saúde em 2011 apontou que a depressão é uma questão grave de saúde pública em todas as regiões do mundo e pode ter relações diretas com questões sociais. O estudo, conduzido em 30 países, revelou que a ocorrência de transtornos mentais é duas vezes maior em mulheres. No Brasil, em que a pesquisa foi realizada no estado de São Paulo, 20% das mulheres apresentam episódios depressivos pelo menos uma vez ao longo da vida. Entre os homens, o índice é de 12%.

Em A Mística Feminina, Betty Friedan analisou, a partir de entrevistas com mulheres, médicos e psicólogos, o quanto a educação da mulher voltada para que ela se tornasse esposa, mãe e dona de casa – e vivesse em função disso -, a tornava frustrada e fazia com que apresentasse distúrbios psicológicos, entre eles a depressão. Embora a obra retrate a mulher de um ponto de vista branco de de classe média, já naquela época (décadas de 1940 e 1950) ela revelava o quanto o peso das funções que atribuem às mulheres pode ser prejudicial à sua saúde mental.

“Ser mulher em uma sociedade profundamente patriarcal leva a um número desproporcional delas a entrar em colapso” (Garcia, 1994). Dupla jornada de trabalho, ser mãe zelosa, esposa dedicada, “bela, recatada e do lar”, conviver com assédio na rua, muitas vezes lidar com violência dentro de casa, estar sempre disponível para o outro, nunca para si. A carga social que incide sobre a mulher a leva sempre a anular-se.

Segundo Wilza Vieira Villela, psiquiatra do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e livre-docente em Ciências Sociais em Saúde da Unifesp, apontar as mulheres como mais suscetíveis à depressão pode ser questionável, já que é socialmente mais aceitável para as mulheres expressarem suas tristezas e desconfortos, enquanto dos homens se espera uma postura mais racional, “forte”. Ainda assim, é possível comparar a forma como homens e mulheres expressam tanto a depressão quanto a ansiedade. (…)

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Nexo Jornal: Como mulheres estão buscando tratamento médico de forma mais política

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Não basta atender pelo convênio médico. Mulheres estão buscando ginecologistas que respeitem diferentes orientações sexuais, façam parto humanizado, defendam o uso de coletor menstrual (o copinho) e até respondam por Whatsapp em caso de emergência.

Um grupo tem compartilhado em círculos do Facebook e e-mail uma planilha virtual e colaborativa justamente sobre essa busca. O “Guia de Recomendação de Ginecologistas”, como é chamado, traz sugestões, feitas por pacientes, de médicos em todos os Estados do país. Para acessá-lo, é necessário receber de alguma participante o convite para o documento.

A tabela enumera nomes de ginecologistas, telefone, endereço e observações sobre o atendimento, feitas por quem já realizou a consulta com o profissional. Entre os comentários, está “sem julgamentos”, “nunca falou sobre idade para ter filhos” e “contra o uso indiscriminado da pílula”.

A dificuldade em encontrar médicos atenciosos é ainda expressa em observações como “explica tudo didaticamente” e “embora seja homem, eu achei ele bem respeitoso e cuidadoso”.

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Hypeness: Guia colaborativo ajuda a encontrar ginecologistas naturalistas, feministas e gay friendly

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image2Infelizmente, muitas mulheres já passaram, ao menos uma vez na vida por uma experiência desagradável ao ir ao ginecologista. Os motivos são diversos: conservadorismo, machismo, homofobia etc. Quando essas pessoas, descontentes com os péssimos serviços prestados, se unem, coisas boas podem surgir, como um guia médico colaborativo.

Foi divulgado via Facebook uma planilha de contatos de ginecologistas pelo Brasil que atendem desde necessidades específicas, como para pacientes que desejam se tratar através de métodos naturais/alternativos, como profissionais feministas e gay friendly. O guia também conta com espaço para recomendações e observações sobre os profissionais.

Continue lendo em:  Hypeness

A Pública: O agressor dorme no homem comum

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Em silêncio, espero a chegada do grupo junto dos psicólogos Tales Furtado Mistura e José Luiz Querido. Na salinha de cor creme, quase só cabem a mesa, as cadeiras, um quadro branco e uma estante. “Acho que hoje não vai ter muita gente não”, eles comentam enquanto a chuva caía naquela segunda-feira estranhamente fria para o começo de ano em São Paulo.

Esse seria o primeiro de três encontros de grupos reflexivos para homens enquadrados na Lei Maria da Penha que eu pude presenciar. Eles se reúnem toda semana na sede do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, um casarão vermelho situado numa rua pacata próxima ao largo da Batata, zona oeste de São Paulo. Uma equipe de psicólogos do coletivo oferece esse serviço de forma voluntária, e os encontros são gratuitos.

A casa do coletivo é o único espaço que acolhe grupos desse tipo na capital paulista. O outro espaço que sediava encontros como esse era a Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo (Acadepol), mas, segundo a Pública apurou, o curso está suspenso. Os relatos de quem foi a esse grupo dão conta de que a coisa andava mais à base da ameaça do que como uma reflexão conjunta legítima, como acontece na casa.

Os que participam dos grupos são homens enquadrados legalmente como agressores (não necessariamente culpados), para quem foi determinado, conforme o artigo 45 da Lei Maria da Penha, o “comparecimento obrigatório a programas de recuperação e reeducação” mesmo antes do fim do processo. Frequentar esse tipo de grupo não isenta os supostos agressores de responder a seus processos, mas a assiduidade é considerada pelos juízes na hora de bater o martelo e determinar as penas. A presença de mulheres é proibida nas sessões, e eles devem ir a no mínimo 16 encontros.

A lei prevê também, para a efetiva realização de programas como esse, a criação de “centros de educação e de reabilitação para os agressores” por todos os entes federativos, conforme o artigo 35. A realidade, porém, é que, em todo o país, existem pouquíssimos espaços assim.

Aos poucos, as cadeiras vão sendo preenchidas por homens bem diferentes uns dos outros. Nas seis horas que passei na salinha durante os três encontros, quebrei todos os meus preconceitos. Esperava encontrar monstros agressores, sádicos contumazes, malfeitores violentos próximos ao “estereótipo Datena”. Encontrei homens constrangedoramente comuns, uma amostra masculina fidedigna de toda a pirâmide social brasileira como raramente vi. O “homem brasileiro” estava ali em todas as suas nuances. (…)

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