Depressão e ansiedade na vida das mulheres

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Estudo sobre saúde mental divulgado pela Organização Mundial da Saúde em 2011 apontou que a depressão é uma questão grave de saúde pública em todas as regiões do mundo e pode ter relações diretas com questões sociais. O estudo, conduzido em 30 países, revelou que a ocorrência de transtornos mentais é duas vezes maior em mulheres. No Brasil, em que a pesquisa foi realizada no estado de São Paulo, 20% das mulheres apresentam episódios depressivos pelo menos uma vez ao longo da vida. Entre os homens, o índice é de 12%.

Em A Mística Feminina, Betty Friedan analisou, a partir de entrevistas com mulheres, médicos e psicólogos, o quanto a educação da mulher voltada para que ela se tornasse esposa, mãe e dona de casa – e vivesse em função disso -, a tornava frustrada e fazia com que apresentasse distúrbios psicológicos, entre eles a depressão. Embora a obra retrate a mulher de um ponto de vista branco de de classe média, já naquela época (décadas de 1940 e 1950) ela revelava o quanto o peso das funções que atribuem às mulheres pode ser prejudicial à sua saúde mental.

“Ser mulher em uma sociedade profundamente patriarcal leva a um número desproporcional delas a entrar em colapso” (Garcia, 1994). Dupla jornada de trabalho, ser mãe zelosa, esposa dedicada, “bela, recatada e do lar”, conviver com assédio na rua, muitas vezes lidar com violência dentro de casa, estar sempre disponível para o outro, nunca para si. A carga social que incide sobre a mulher a leva sempre a anular-se.

Segundo Wilza Vieira Villela, psiquiatra do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e livre-docente em Ciências Sociais em Saúde da Unifesp, apontar as mulheres como mais suscetíveis à depressão pode ser questionável, já que é socialmente mais aceitável para as mulheres expressarem suas tristezas e desconfortos, enquanto dos homens se espera uma postura mais racional, “forte”. Ainda assim, é possível comparar a forma como homens e mulheres expressam tanto a depressão quanto a ansiedade. (…)

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