Sobre a experiência de fazer psicanálise. 😍

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Letícia Maia está fazendo terapia com a Renata Granusso, uma das integrantes da equipe de saúde mental “Inconsciente Real” do Coletivo.

E segundo ela, a psicanálise tem sido a melhor coisa que está fazendo. Esse texto é um trecho do diário que acompanha o seu processo na terapia e foi disponibilizado como escrito no diário a fim de deixar atravessar a barreira do privado.

12/06/18 O que tem me feito forte?

Passei muito tempo ignorando minha existência, mesmo quando dizia o contrário, eu nunca me interessei muito por mim, nunca me senti digna de tal atenção. Eu vivi muito tempo alheia a minha própria existência, alienada sobre qualquer forma de singularidade que pudesse se apresentar.

Eu não me lembro de muitas coisas da minha infância, adolescência e vida adulta, é como se não tivesse importância; uma espécie de névoa recobre desejos e sensações vividos.

Passei muito tempo com medo de mexer em algo que pudesse me mostrar para mim mesma. Mas em algum momento, comecei a pedir socorro, e acho que estou começando a me ouvir, aprendendo a não pedir socorro para o outro, a não depender totalmente do outro, tentando aprender a dar a mão para mim mesma, a me acolher como sou nesse momento, a sentir por mim alguma espécie de amor que seja tranquilo como um banho quente.

Isso tem me feito forte e, na prática, tem me feito ver que sou capaz de coisas que não acreditava, que sou capaz de acreditar, que as coisas podem ser mais leves, que eu posso aprender novos caminhos e fazer escolhas.

Meus movimentos ainda são tímidos, mas já consigo mover esse peso que mantém meu corpo para baixo, mover com o peso. Talvez seja esse meu jeito de mover. Algumas coisas têm colaborado muito nesse para tudo isso. Estar aqui; pensando, escrevendo e falando sobre isso, minha família que cada dia se mostra mais generosa e acolhedora; minha mãe como exemplo de pessoa, meu pai que está aqui em mim e me faz mais forte. Trabalhar, projetar, organizar, amar o que faço, conseguir estar em lugares que nunca imaginei possíveis para mim, reconhecer e celebrar.

Reaprender a cada dia, reorganizar os sentidos para perdoar a mim mesma, reconhecer que, apesar dos erros a vida me deu um companheiro que constrói e luta pela vida ao meu lado, e a gente tá tentando aprender juntos, como ser melhor pra gente mesmo.

Conseguir enxergar e memorizar no corpo pequenas alegrias cotidianas, ativar uma rede de amigos que me amparam e são amparados por mim. Eu tenho acreditado muito nessas forças.

Eu estou aqui e agora, pouco a pouco, consciente da minha existência.